quinta-feira, 17 de setembro de 2009

UMA ALVORADA

“Durante o dia nada mais fácil do que mostrar que não se da importância, mas, a noite é diferente.”

Ernest Hemingway


E quanto mais terrível mais fácil é convencer a todos de que nunca se esteve tão bem. Pois se quisesse poderia me mostrar radiante e irradiar felicidade; poderia fazê-los todos acreditar em cada palavra falsa e em cada sorriso vazio; fazê-los invejarem eternamente minha confiança, minha coragem, minha virtuosidade.

Tão bem poderia que seria até capaz de enganar a mim próprio, não fossem as noites... Não fosse, nos momentos de inevitável solidão, minha alma cobrar o preço tão justo e tão caro pela força de meu corpo. E então é obrigatório, sou forçado a viver em minha realidade. Desolador é se ver assim miserável, mas é a verdade; de mim mesmo não posso esconder o que sinto pois isso é mais que qualquer blefe.

Dizem que os melhores remédios são os que amargam a boca... Devo, pois estar no caminho certo, já que o gosto da quássia não me abandona em momento algum, e aumenta quando sussurro teu nome numa espécie de reza quase muda. Maldito gosto fixo em meus lábios, maldito, pois quase faz com que eu me esqueça do teu sabor, assim como aos poucos perco teu cheiro, assim como já não há nada entre meus braços...

Então já não sei se quero me curar... O que acontece depois que eu te superar? Onde buscarei momentos tão felizes quanto os que você me deu? Deixe-me viver isso um pouco mais... Que o estupor de meus dias se perca no desespero de minhas noites, e que o único fel em meus lábios seja a lembrança de tuas lágrimas que arranquei.

Um comentário: